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Contador desempregado que dormia na rua já consegue emprego na área
Depois de desventuras em série, a vida do ex-executivo Vilmar Mendonça, que passava os dias, com um laptop no colo, no saguão do Santos Dumont e dormia num gramado na frente do aeroporto, parece ter voltado aos trilhos. Após ter seu drama revelado em reportagens há quatro meses, Vilmar, que virou símbolo do desemprego e da crise, recebeu a solidariedade dos cariocas. Diante de várias ofertas de emprego, escolheu administrar as contas de uma cadeia de restaurantes em Nova Iguaçu. Conseguiu até um lugar para morar de graça no local, mas, há 15 dias, houve nova reviravolta. Ele conseguiu, já com uma poupança e tanto, trocar de emprego e de endereço. Vive agora num hostel em Santa Teresa, enquanto não aluga um apartamento no Centro, e atua como consultor de uma empresa, cujo nome não revela.
— O convite para esse trabalho surgiu quando eu ainda passava o dia no aeroporto. A vantagem dele é permitir que eu continue a atuar na área de contabilidade, que é minha especialidade. A parceria é boa para os dois lados. Indico clientes para a empresa se a demanda é por um tipo de serviço que não faço. E eles encaminham clientes para mim — contou Vilmar.
O ex-sem teto está novamente se preparando para arrumar as malas.
— Estou à procura de uma quitinete para alugar na Rua Riachuelo (Centro). Quero ter um espaço próprio, que sirva para trabalhar em home office. Para minha atividade é essencial que seja perto do Centro — acrescentou Vilmar.
Em Nova Iguaçu, funcionários de um dos restaurantes administrados pelo ex-executivo contaram que Vilmar era uma pessoa discreta, que passava boa parte do dia no escritório da administração. À noite, dormia em um pequeno apartamento, anexo a um dos restaurantes do grupo.
— Ele saiu por livre e espontânea vontade. Não houve qualquer problema — contou uma ex-colega de trabalho que não quis se identificar.
Nesses quatro meses, Vilmar conseguiu economizar cerca de R$ 30 mil, quase um milagre de Natal. Ele disse estar satisfeito por ter alguma reserva financeira. Mas o valor, observa, está longe de garantir uma vida sem novos sobressaltos.
— Não sou político baiano que consegue guardar R$ 51 milhões em caixas em um apartamento. Ainda preciso trabalhar muito — diz, em referência a uma operação da Polícia Federal, como desdobramento da Lava-Jato, que apreendeu o valor em um imóvel em Salvador ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima.
Catarinense de Itajaí, Vilmar morava em outro hostel de Santa Teresa em 2013, quando sofreu um assalto durante o carnaval. Na época, o prejuízo foi de cerca de R$ 9 mil. Logo depois, foi demitido da empresa onde trabalhava. O dinheiro acabou e ele passou quatro anos vivendo na rua:
— Mesmo após essa fase ter sido superada, até hoje sou reconhecido na rua. Deve ser por causa da minha calvície — brinca. Com informações do Jornal Extra
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