Reforma Tributária
Reforma Tributária: adaptar-se é questão de sobrevivência
Por Rodrigo Sartorio, diretor de produtos da TOTVS
A aprovação da Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023, foi um marco histórico para o Brasil. Após décadas de debates, o novo sistema entrará em vigor já em 1º de janeiro de 2026. No entanto, muitas empresas podem estar subestimando a complexidade da transição e, principalmente, o risco real que a falta de planejamento e ação representa. A Reforma Tributária é uma mudança com magnitude semelhante ao que foi o Plano Real para a economia brasileira.
O debate público costuma focar nas alíquotas e nos impactos macroeconômicos, mas a realidade para a gestão e operação das empresas vai além, e é muito mais urgente. A implementação das adequações que a Reforma traz consigo exigirá ajustes cruciais e profundos nos processos e, principalmente, nos sistemas de gestão de empresas que operam no Brasil. E o prazo final para a primeira adequação, 1º de janeiro de 2026, está muito mais próximo do que parece.
Em termos práticos: se os sistemas de uma empresa não estiverem plenamente adequados e atualizados para atender à primeira implementação da nova legislação, e uma nota fiscal for emitida sem os novos tributos, o documento será rejeitado pela Secretaria da Fazenda. Isso pode criar dificuldades para efetuar a venda de produtos e serviços. Sem nota, não há venda, não há faturamento, não há entrega.
Essa não é uma previsão alarmista, mas uma constatação técnica. A mudança no modelo de imposto, que passará a ser calculado “por fora” afetando a precificação, a criação de novas obrigações e o fim de regimes especiais são apenas a ponta do iceberg. A Reforma Tributária impactará diretamente o fluxo de caixa, com a alteração no momento da apuração e recolhimento dos tributos; a formação de preços, exigindo revisão de margens e negociações comerciais; e até a dinâmica financeira com fornecedores e clientes, com a introdução do modelo de split payment.
Postergar essa adequação é uma aposta de altíssimo risco. Projetos de adaptação fiscal são complexos e demandam tempo para análise, planejamento, atualização tecnológica, parametrização e, fundamentalmente, testes exaustivos. Deixar para a última hora significa enfrentar uma corrida contra o tempo em um cenário onde a demanda por serviços de consultoria e suporte técnico pode exceder a capacidade de atendimento do mercado.
>>> Junte-se ao canal do Jornal Contábil no WhatsApp. Clique e siga agora!
A jornada de adaptação é urgente, deve começar agora e precisa ser pauta também do C-level, pois trata-se de uma tarefa que ultrapassa departamento fiscal ou de TI. É uma mudança estratégica que envolve toda a organização.
O primeiro passo é estudar a Reforma e seus impactos diretos no negócio. Em seguida, é crucial realizar um diagnóstico detalhado e planejar as adaptações necessárias.
Em termos de tecnologia, é imprescindível migrar os sistemas de gestão para as últimas versões e patches, que incorporarão as novas funcionalidades. A partir daí, é possível configurar os novos impostos e realizar os testes necessários, sem esquecer, evidentemente, de treinar as equipes para se adaptarem tanto às mudanças no sistema, quanto às regras que entram em vigor em 2026.
A adequação à nova legislação tributária é um passo essencial para a continuidade e o sucesso de qualquer empresa no Brasil. A antecipação não é uma recomendação, mas uma estratégia de sobrevivência. Aqueles que enxergarem a transição não como um fardo, mas como uma oportunidade para modernizar processos e se tornar mais eficientes, sairão na frente. Os que decidirem esperar, verão o relógio chegar a zero e, talvez, as portas de suas empresas fechadas para negócios.
Leia também:
- União estável X casamento: saiba como a decisão do STF pode afetar seus bens
- Quando a doença grave dá o direito à aposentadoria por invalidez?
- DTE passa a ser obrigatório para Pessoas Jurídicas a partir de 2026
- ‘CPF dos Imóveis’: Órgãos federais e cartórios iniciam obrigatoriedade do CIB
- Além do PIX: 7 transações financeiras que chamam atenção da Receita
-
MEI2 dias agoMEIs passam a ter nova exigência para emissão da Nota Fiscal
-
Contabilidade2 dias agoAfinal, quais são os prazos para envio da DCTFWeb 2026?
-
CLT2 dias agoTodos os valores que podem ser descontados do salário em 2026
-
Fique Sabendo1 dia agoCPF dos Imóveis começa a valer e Receita aperta cerco imobiliário
-
MEI1 dia ago4 mudanças e obrigações pro MEI ficar de olho aberto este mês
-
Imposto de Renda1 dia agoIR 2026: Confira a nova tabela progressiva e quem precisa declarar
-
Imposto de Renda1 dia agoMalha Fina 2026: inconsistência entre PJ e PF é o principal alvo do fisco
-
Contabilidade2 dias agoDecisões seguras começam com dados corretos: um bom relatório de PIS/COFINS garante conformidade e reduz riscos fiscais

Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.